O que fazer com aquela prancha antiga e quebrada, que hoje mais parece um toco velho entulhado em algum canto de garagem ou despensa? Com muita criatividade e alguma disposição é possível reaproveitar o velho bloco empoeirado e transformá-lo em uma prancha inteiramente nova.
Para aqueles que encontram na experimentação uma fonte de prazer, o caminho parece mais do que natural: uma prancha de surf caindo aos pedaços e fora de uso há vários anos, tem o seu ciclo de vida renovado ao ser retalhada, remodelada e transformada em uma nova prancha com design próprio, pronta para ser usada por muitos anos mais.
A proposta funciona especialmente com pranchas grossas - como os modelos antigos - e os longboards, que podem render uma nova prancha mesmo que estejam quebrados ao meio, mais para perto do bico. Isso porque geralmente o shaper irá precisar de alguma margem para poder afinar a espessura da borda.
Participei de um destes momentos, numa divertida sessão de surf no sul de Floripa, ao lado do shaper Felipe Siebert, do surfista-ecologista Tomas Oberst e de seu irmão Nicolas. Grandes incentivadores do surf livre e consciente, o trio testou com sucesso o resultado deste processo: uma prancha no mínimo inovadora, que, na falta de um adjetivo correto para defini-la, direi que se trata de uma super-mini-model, retrô-híbrida.
Produzida a partir de um modelo 5`8 clássico da década de 80 confeccionado pelo lendário shaper Machucho, a nova prancha teve sua dimensão reduzida para uma inusitada 4`10 com bico arredondado, mantendo a borda grossa original e ganhando uma combinação de cores marrom e amarela - características que lhe renderam o apelido Machuchinho.
"Esta prancha estava abandonada na casa de uma amiga minha. Cheguei a surfar com ela algumas vezes ao longo dos anos, mas as quilhas foram se quebrando e, no fim das contas, ela já estava com tantos buracos, que nem me animava a remendá-la.", conta Siebert, que optou então por refazer o shape procurando manter ao máximo os detalhes do modelo original, modificando basicamente apenas o bico.
Para a alegria de todos os participantes e curiosidade dos demais surfistas na praia, a extravagante Machuchinho comportou-se muito bem nas ondas, acelerando bem e manobrando com bastante pressão - a observação unânime foi que, devido ao seu comprimento reduzido, a prancha requer do surfista uma base com os pés mais juntos para proporcionar o melhor desempenho.